domingo, 2, outubro 2022
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Quem é Oksana, a jovem mãe ucraniana, que rezará o Terço com o Papa

Nestes últimos três meses, a vida da voluntária Oksana Boyko, tem seus dias cheios devido à educação das crianças ucranianas refugiadas de 2 a 10 anos, em total dedicação para ajudar o povo do seu país de origem. Ela nunca teria imaginado que se encontraria junto com sua família rezando uma dezena do Terço com o Papa na Basílica de Santa Maria Maior.

Que esta oração faça a guerra desaparecer da terra

Este Terço recitado no final de maio é um sinal de esperança para o mundo, que sofre pela guerra na Ucrânia e profundamente ferido pela violência dos muitos cenários de guerra ainda ativos. Na oração do Terço de hoje, o Papa Francisco, depois de colocar uma coroa de flores aos pés da estátua de Nossa Senhora Rainha da Paz, será apoiado por um grupo de pessoas ligadas às vítimas da guerra, um grupo de capelães militares com suas respectivas corporações e uma família ucraniana, a de Oksana.

Esta mulher de 40 anos veio de Brody, uma pequena cidade a cerca de cem quilômetros de Lviv, a Roma, em 2008, para estudar na Pontifícia Universidade Angelicum, depois de ter se formado em Economia em seu país e de alguma experiência no setor. Seus estudos aqui lhe deram um novo sentido para a vida. Na Ucrânia, ela tem uma irmã que conseguiu fugir de Kiev com quatro filhos logo depois do início da guerra. Seus pais decidiram ficar na Ucrânia. “Quando o padre Marco, o pároco de Santa Sofia, me pediu para participar com o Papa”, conta ela, “no início fiquei um pouco assustada, pensei nas duas crianças mais novas, um pouco inquietas… Mas compreendo a importância deste evento. A guerra deveria desaparecer da terra e nunca pode ser considerada justa. Espero que esta oração seja capaz de nos ajudar a sair desta guerra feroz, para que o próprio conceito de guerra em si desapareça”.

A comunidade de Santa Sofia, um centro de solidariedade

A comunidade de Santa Sofia é um ponto de referência para a família de Oksana, assim como está se tornando um ponto de referência para milhares de pessoas que fugiram da Ucrânia e que também são trazidas para cá por vários italianos. Tornou-se uma espécie de centro de solidariedade durante os últimos três meses, desde que a guerra começou. “Recebemos ajuda de muitas pessoas. Todos fazem o que podem. Estou aqui há noventa dias organizando e distribuindo as doações que chegam. Depois de algumas semanas começaram a chegar os primeiros refugiados. Lamento usar esta palavra ‘refugiados’, não posso acreditar”, afirma Oksana e explica cada um deles carrega sua própria experiência de vida e são milhares, embora o denominador comum do êxodo seja a guerra. Há os que chegaram com seus filhos, outros com famílias numerosas com seus pais idosos. Outros ainda estão sem seus filhos porque, já adultos, ficaram para trás para defender suas cidades. “Eu mesmo tinha que entender o que podia fazer por eles, além de dar algumas informações, alimentos. Eu tinha que dar um apoio profundo, tranquilizá-los. Eu lhes dizia: ‘chamem-nos, mesmo à noite, se precisarem de nós’. Santa Sofia tornou-se um pedaço de terra ucraniana em solo romano, também um pedaço do mundo”.

Há uma vontade natural de fazer o bem

“No início eu costumava passar pela paróquia para encontrar o olhar de Jesus e Maria nos ícones e pedir-lhes que me ajudassem a não cometer erros”, confessa Oksana. “Muitos querem ajudar, mas mesmo com esta intenção podem cometer erros”. Ela explica que isto pode acontecer, por exemplo, quando são dadas informações erradas criando-se expectativas enganosas. O aspecto mais delicado é a abordagem: é preciso ternura com os refugiados, com os que tiveram que deixar tudo para trás por causa das bombas. Também deve-se entender logo o que precisam.

“Alguns queriam contar toda a sua história, mas não tínhamos tempo para ouvir. Assim nos organizamos com uma nossa psicóloga ucraniana, que agora está sempre com a agenda cheia”. Em março, havia 500 voluntários que vinham todos os dias para ajudar, “sempre diferentes, de todas as cores de pele”.

As pessoas vinham aqui e perguntavam: o que eu posso fazer? E não conseguimos nem mesmo administrar esta situação. Hoje quero dizer obrigado a todos. Nossas crianças costumavam vir aqui depois da escola. Os refugiados tinham medo, ficavam desconfiados. O que mais me surpreendeu foi que os refugiados, uma semana após sua chegada, já se tornaram voluntários. Semear um bem que depois de semanas se torna outro bem”. Um multiplicador. “O que eu vi”, observa Oksana, “é que em cada pessoa há uma vontade natural de fazer o bem”.

A oração simples faz milagres

Um trabalho em conjunto, em resumo. Afinal de contas, diz Oksana, “o pároco e seu vice são poucos, precisamos de muita gente”. Ela admite está muito envolvida neste compromisso, um serviço que tirou o tempo de oração diária, mesmo do Terço que sua família é acostumada a rezar várias vezes por semana. Mas o serviço aos que batem na porta é a encarnação dessa súplica orante. “Quando estava grávida de cada um de meus filhos, comprei um terço que rezava durante a gravidez. Agora eles sabem que cada um tem seu próprio terço”, relata. E ela lembra que apesar da guerra e do risco de ser bombardeada, o povo ucraniano continua indo aos santuários, um sinal de uma fé muito forte. “A oração simples faz milagres”.

Reprodução: Vatican News

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